Livro: História da África (material de apoio)

Fast food Africa

Apresentação

Apesar do forte laço entre nós, os brasileiros, e o continente africano, em função do passado escravista e da mestiçagem que nos marca desde antes mesmo da formação do Brasil, a África ainda nos é desconhecida. Suas manifestações culturais, seus artistas e intelectuais, sua história e geografia são por nós ignorados. O continente só apareceu como marginal aos processos históricos europeus e americanos: tráfico negreiro e o comércio triangular, imperialismo, descolonização e Guerra Fria. Um tratamento secundário, que revela e reforça uma visão eurocêntrica da história.

Usualmente, associamos ideias e noções estereotipadas que constroem e são construídas por uma imagem de uma África conservadora e arcaica, com negros em trajes pré-industriais e armas primitivas, buscando seu alimento nas savanas. Nestas representações, a África aparece como distante, como separada de nós por alguns séculos. Sob esses rótulos de sociedades primitivas e tradicionais foram elaboradas reflexões que apresentavam as culturas africanas como estáticas, sua população como detentora de uma forma de pensamento irracional, mítico ou fantástico.

Uma legislação recente do Ministério da Educação, vem resgatar esta falha em nosso estudo da História atendendo às exigências de uma análise mais crítica e aprofundada de nossa evolução como povo. A matéria História da África consta, agora, dos currículos escolares. Os meios acadêmicos foram, assim, despertados para a necessidade de elaborar pesquisas que possibilitassem a organização de programas e a fundamentação teórica dos mesmos. Atendendo às novas exigências e seguindo sua linha de pesquisa, o Professor Luiz Arnaut lançou em conjunto com a Professora Ana Mónica Lopes o livro História da África: uma introdução, que indicamos.

Mas não se trata apenas de cumprir uma nova legislação:

Nós, os negros, temos que prestar muita atenção à nossa história se quisermos tornar-nos conscientes. Temos que reescrever nossa história e mostrar nossa resistência aos invasores brancos. Muita coisa tem que ser revelada e seríamos ingênuos se esperássemos que nossos conquistadores escrevessem uma história imparcial sobre nós. Temos que destruir o mito de que a nossa história começa com a chegada dos holandeses (Adaptado de Steve Biko, I write what I like: a selection of his writings. Johannesburg: Picador Africa, 2004, p. 105-106).

Steve Biko, líder sul africano na luta contra o Apartheid, considera que a História tem um papel central na libertação dos homens.

Muito generosamente, o Professor Luíz Arnaut (UFMG) nos cedeu grande parte de seu material de apoio para que a Casa de História possa também servir de divulgadora dessa urgência que é entender a diversidade africana, sua riqueza e sua grande identidade para com o Brasil. Este material vem sendo usado na disciplina Historia da Africa, que desde 1990 é ministrada por Arnaut na UFMG.

Reeditando o material tão gentilmente cedido pelo Prof. Arnaut, esperamos contribuir para aquele que é nosso objetivo principal, a construção de uma sociedade mais humana, justa e plural.

O material ao qual você terá acesso em nossa página não contém somente textos sobre a História da África, mas também poemas, músicas e fotos de diversos países desse vasto continente, permitindo o conhecimento mais profundo de culturas múltiplas que são tão próximas e, ao mesmo tempo, tão distantes de nossos olhos e mentes contaminados pela hegemonia da cultura primeiro mundista.

Ler e desfrutar esse material é tocar o coração de parte de nossos ancestrais e, se quisermos, nos irmanar com sua luta pelo respeito, dignidade e progresso!

Nota: esse material será publicado gradualmente.

Partilha européia e conquista da África

La question du Congo

Material de apoio sobre “partilha européia e conquista da África”.

Ata Geral da Conferência de Berlim
Trecho: “Querendo regular num espírito de boa compreensão mútua as condições mais favoráveis ao desenvolvimento do comércio e da civilização m certas regiões da África, e assegurar a todos os povos as vantagens da livre navegação sobre os dois principais rios africanos que se lançam no Oceano Atlântico; desejosos, por outro lado, de prevenir Os mal-entendidos e as contestações que poderiam originar, no futuro, as novas tomadas de posse nas costas da África, e preocupados ao mesmo tempo com os meios de crescimentos do bem-estar moral e material das populações aborígines, resolveram [...]”
Justificativas para o neocolonialismo
Três fragmentos exemplares.
Eça de Queirós: Cartas de Inglaterra
Excerto das Cartas de Inglaterra, “Os ingleses no Egito", no qual o escritor, apesar de aparentemente criticar as ações imperialistas sobre o continente africano, acaba por adotar o ponto de vista da "superioridade branca", comum aos defensores da presença europeia na África.
Texto completo disponível em Texto Integral das Obras de Eça de Queirós.
AnexoTamanho
Ata Geral da Conferência de Berlim (PDF)154.56 KB
Justificativas para o neocolonialismo (PDF)11.65 KB
Eça de Queirós: Cartas de Inglaterra (PDF)89.04 KB